Abertura do IX Congresso da ABRATES

Recebimento de credenciais e posterior interação entre iniciantes e veteranos que atuam nas áreas de tradução e interpretação; momentos que antecederam ao início do IX Congresso da ABRATES, no Othon Rio Palace Hotel, no Rio de Janeiro.

Logo depois, o salão principal estava praticamente tomado por colegas ávidos pelas palestras que viriam após a abertura oficial feita pelo atual presidente da ABRATES, William Cassemiro. Com muito pesar, ele divulgou a sua saída da presidência no próximo mês e passou literalmente o boné ao novo presidente, Ricardo Souza.

Após a apresentação sobre a associação, a palestra de Petê Rissatti, primeiro keynote convidado, foi uma revelação. Tendo como o tema principal “A adversidade”, Petê deixou de lado qualquer preconceito e expôs o seu interior, de forma clara e singela. Tirando a máscara de um profissional sério e competente, que também ministra palestras sobre a tradução literária, uma das mais gratificantes vertentes da tradução, ele deixou que o seu coração se descortinasse em meio a dezenas de tradutores, fazendo transparecer a sua alma límpida.

Petê falou de preconceitos vividos por ele e por outras pessoas em uma sociedade que ainda está engatinhando no processo de aceitação à diversidade. Diante de um silêncio quase mortal, Petê chorou; lágrimas que verteram pelo o seu rosto trazendo consigo a dor, a incredulidade e a esperança de que um dia possamos nos despir de todos os preconceitos existentes e vivermos em perfeita harmonia.

E também extremamente emocionada, Rane de Souza expôs dados alarmantes sobre a diferença entre negros e brancos, ainda presente em nossa sociedade atual. Até quando veremos essa discriminação? Até quando aceitaremos essas diferenças sem sentido? Ainda há muito trabalho a fazer para que esse preconceito entre raças seja extinto.

Mais cursos, mais trabalhos e mais valorização do profissional negro. É isso o que Rane deseja e é por isso que devemos lutar. Nós, tradutores e intérpretes, precisamos nos despojar de qualquer sentimento preconceituoso e juntos nos fortalecermos para que consigamos que os direitos sejam iguais a todos os profissionais de todas as áreas, incluindo a nossa.

E no término das palestras, sentimos nossos corpos congelados pelo ar condicionado, mas nossos corações aquecidos pelas lindas palavras desses dois palestrantes; um indício do que virá nos próximos dois dias do evento.

E assim começa o IX Congresso da Abrates.

Autora: Ligia Ribeiro

2 thoughts to “Abertura do IX Congresso da ABRATES”

  1. Faltei a alguns poucos, mas arrisco-me a dizer que, dede o primeiro Congresso, nunca houve abertura tão significativa. Muito marcante ouvir “de colegas, para colegas, por colegas” profissionais uma “abertura de alma” tão sincera, tão edificante, tão norteadora do futuro seja da profissão, seja da Abrates.

    1. É esse tipo de contato direto entre os participantes e o Keynote transmite uma verdade que, muitas vezes, está no nosso interior, mas que não conseguimos externá-la em um evento como esse. Às vezes, o conteúdo é bom, no entanto, a interatividade é amena, não consegue haver um elo intenso como o que houve na abertura desse congresso. Foi ótimo.

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