Audiodescrição em Santo André

Este é um artigo diferente que tem o objetivo de exaltar uma belíssima exposição da qual participei como audiodescritora:Projeto Cuiabá 153 e Portões que Falam“, realizada no Salão Contemporâneo do Paço Municipal de Santo André.

O que esse projeto tem de especial? Foi a primeira vez que a audiodescrição fez parte de um evento como esse; sinal de que a inclusão social se fortalece a cada dia e estende os seus braços para distintas regiões. Tive o orgulho de poder fazer da parte da equipe que realizou a audiodescrição desses respectivos projetos por meio da Tradsound, uma empresa com o intuito de fomentá-la, principalmente no Brasil. Ana Julia Perrotti-Garcia e Rafael Nimoi, diretores da empresa, estão empenhados nessa empreitada.

A exposição tem um sabor exótico. Na França, há 13 anos, ocorre um evento de arte intitulado “Janelas que Falam”. As obras são colocadas nas janelas da vizinhança, na cidade de Lillie. No Brasil, especificamente na Rua Cuiabá 153, em Santo André, a artista plástica Sueli de Moraes abre os portões da sua casa para os artistas e o público em geral. Para a exposição de arte contemporânea de 2018, ela transformou a cozinha em laboratório artístico, que ganhou o nome de Lab Tecnogene. Foi ali que colegas desenvolveram as peças relacionadas ao tema da exposição “Inteligência Artificial“.

Sueli fez uma paródia visual tendo como referência duas séries dos anos 70: “O homem de seis milhões de dólares” e “A mulher biônica”. Em ambas as séries, os personagens Steve Austin e Jaime Sommers sofrem um grave acidente, mas sobrevivem com implantes biônicos em algumas partes do corpo, no valor de 6 milhões de dólares, que lhes proporcionam velocidade, visão a longo alcance e força descomunal. A intenção é mostrar aos jovens que essa temática já era um assunto discutido há 40 anos.

Setenta artistas expuseram as suas obras no Salão Luis Sacilotto, possibilitando a interação dos visitantes; muitas delas interessadas na audiodescrição. De fato, a audiodescrição está sendo cada vez mais divulgada e as pessoas querem conhecê-la de perto. A curiosidade inicial deu lugar à conscientização da importância dessa tradução intersemiótica para os deficientes visuais, assim como pessoas com dislexia, idosos e crianças, e que elas devem ser incluídas em todos os contextos, principalmente no âmbito cultural.

Prestigiar eventos em que a inclusão esteja presente é ter respeito pelas pessoas, é sinal de cidadania. Que eles se espalhem por todas as partes do mundo e que as autoridades os prestigiem com mais vigor.

Mais informações sobre a exposição podem ser obtidas neste site: http://culturaz.santoandre.sp.gov.br/evento/2186/

Por Ligia Ribeiro

Gostaria de ler seu comentário sobre o post.