Ambiguidade de pronomes possessivos

Normalmente, existe uma concordância do pronome possessivo com o pronome pessoal, gênero e número gerando um entendimento total da frase. Vejamos este exemplo:

O estagiário passou a tarde toda revisando o seu relatório.  (dele)

 

No entanto, há frases em que a compreensão se torna mais difícil porque há ambiguidade de interpretação. Vejamos:

O gerente pediu ao estagiário que revisasse o seu relatório.

 

Na frase acima, a dúvida é se o gerente pediu que o estagiário revisasse o relatório dele ou do próprio estagiário. Mesmo que você acrescente a palavra “dele”, a ambiguidade ainda permanecerá:

O gerente pediu ao estagiário que revisasse o relatório dele.

Dele quem, do gerente ou do estagiário?

 

Para evitar esse fenômeno é possível acrescentar a palavra “próprio” ou reconstruir a frase:

O gerente pediu ao estagiário que revisasse o seu próprio relatório. 

O gerente pediu que o seu relatório fosse revisado pelo estagiário

 

Outro exemplo:

A mãe disse ao filho que ele deveria cuidar da sua saúde.

A mãe se refere à saúde dela ou à saúde do filho?

 

No exemplo, é possível a utilização da palavra “dele”, pois são dois gêneros diferentes: a mãe (feminino) e o filho (masculino):

A mãe disse ao filho que ele deveria cuidar da saúde dele.

 

No entanto, se os gêneros forem iguais, pode ainda haver ambiguidade:

A mãe disse à filha que ela deveria cuidar da saúde dela.

Dela quem, da mãe ou da filha?

 

Para evitar essa ambiguidade, incluiremos a palavra “própria”:

A mãe disse à filha que ela deveria cuidar da sua própria saúde. 

 

A ambiguidade dos pronomes possessivos é muito comum na linguagem falada e na escrita. No caso da segunda, ela é mais fácil de ser observada e evitada. Portanto, é sempre recomendável prestar atenção aos pronomes possessivos e verificar se há ambiguidade na frase.

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