A beleza é ser um eterno aprendiz

A beleza é ser um eterno aprendiz e aprender é sair da mesmice e da rotina incansável do nosso dia a dia em busca de novos horizontes e perspectivas. É a possibilidade de ingressarmos no universo mágico das descobertas. Algumas não tão prazerosas; outras, de extremo valor, que nos traz possibilidades infinitas de aprimoramento, além do exercício da nossa cidadania. Estamos falando da audiodescrição.

A audiodescrição é um gênero de tradução intersemiótica que faz com que as pessoas com deficiência visual, disléxicas e/ou idosos visualizem, na escuridão da galáxia, a luz das estrelas e o colorido dos planetas. Ela desvenda a cortina que encobre os bastidores e traz à tona o brilho da magia das produções, sejam elas artísticas, educacionais, audiovisuais, etc.

No entanto, há muitas pessoas que não a conhecem ou que a interpretam de forma incorreta. A princípio, ela parece muito simples. O que poderia haver de tão complexo em uma descrição de uma fotografia, por exemplo? Embora pareça singelo, o processo requer uma avaliação do público-alvo, da relevância do conteúdo, do direcionamento da descrição e das escolhas do próprio audiodescritor, com a posterior validação de um consultor. E para que o resultado seja satisfatório é preciso entendimento das técnicas empregadas por meio de estudo e de aprendizado.

A audiodescrição de uma obra estática é completamente diferente de uma produção audiovisual ou de um evento ao vivo. Em uma pintura, por exemplo, o audiodescritor consegue detalhar as minúcias da obra. No entanto, é preciso adotar um direcionamento adequado para que o público-alvo possa compor a imagem correta em sua mente; do contrário, ele não conseguirá entender o que foi descrito e, consequentemente, a reação será desvirtuada da intenção do autor da obra.

Em produções audiovisuais como filmes de aventura, ação, comédia, séries… o detalhamento das características dos personagens, dos detalhes dos cenários e da descrição de objetos em cena muitas vezes é substituído pela descrição da ação dos personagens. Entretanto, como fazer essa seleção? A relevância de uma audiodescrição impera no quesito “escolha”, pois o espaço para a inserção das descrições entre as falas dos personagens é bem limitado e depende das escolhas do audiodescritor, validadas por um consultor. A propósito, na audiodescrição, o consultor tem um papel fundamental. Sendo uma pessoa com deficiência visual, é ele quem avaliará se a audiodescrição será bem compreendida pelo público-alvo.

Para que o objetivo da audiodescrição seja alcançado é preciso que o roteirista aprenda a usar técnicas específicas, fazer as escolhas certas, utilizar vocábulos coerentes, entre outras especificidades. Não basta saber descrever o que se vê, é necessário aprender como descrever. E para conhecer todo esse processo, ingressar nessa área e ser bem sucedido é preciso adquirir conhecimento, é preciso aprender, aprender e aprender. Só o aprendizado nos dará a base de sustentação sólida para que possamos erguer o nosso edifício com experiência e de sabedoria.

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