Tradutor generalista ou especialista?

Sou iniciante na tradução e fiquei em dúvida se devo ser um tradutor generalista ou especialista. Qual seria a melhor opção?

Primeiramente, quando iniciamos uma atividade ou uma carreira, sempre temos muitas incertezas; isso é perfeitamente natural. Ao falarmos sobre a tradução, que é uma profissão diversificada, haja vista tantas possibilidades ao nosso alcance, nos perguntamos se vale a pena traduzir para qualquer segmento ou buscar a especialização em uma determinada área. Para tentar ajudar os colegas que estão ingressando agora na tradução, abordaremos essas duas possibilidades: tradutor generalista e tradutor especialista.

 

Traduzir para diversas áreas

O tradutor que prefere se enveredar pela tradução de materiais relacionados a áreas distintas é chamado de generalista. Alguns pontos positivos: ampliação do conhecimento sobre as áreas de atuação, enriquecimento dos seus glossários e oportunidades variadas de projetos.

 

Ao receber um projeto de uma área para a qual o profissional nunca realizou uma tradução, surge a oportunidade de obter conhecimento mais aprofundado sobre essa área e de averiguar o grau de dificuldade e de interesse pela continuidade do trabalho nesse segmento específico. Uma área nova, um assunto mais complexo, termos mais apropriados a serem utilizados… tudo isso traz benefícios intelectuais, e conhecimento adquirido nunca é perdido. Além disso, é mais uma oportunidade que se abre ao tradutor.

 

Quanto ao enriquecimento de glossários, nada melhor do que realizar um projeto novo com validação de termos que poderão ser consultados e aproveitados em futuras traduções do mesmo cliente/agência.

 

Outro ponto favorável ao generalista é a oportunidade de receber várias propostas de trabalho de diversas agências e/ou clientes durante o ano todo. Com isso, o tradutor consegue equilibrar melhor o seu orçamento mensal.

 

Porém, há uma ressalva. Ao querer traduzir textos de qualquer área como medicina, jurídica, de games, financeira e outras, o tradutor se deparará com terminologias muito mais específicas do que possa imaginar. E aí é que a porca torce o rabo, uma expressão que nesse caso se refere às dificuldades que ele enfrentará na tradução. Traduzir um texto jornalístico, por exemplo, é diferente de traduzir um relatório financeiro anual. Não são apenas os termos que são diferenciados, mas também a forma da escrita sofre alteração de uma área para outra. Além disso, o tradutor terá que disponibilizar mais tempo para pesquisa dessas terminologias, mesmo com a ajuda dos “universitários” das redes sociais.

 

Traduzir para áreas específicas

Alguns tradutores preferem se dedicar a áreas com as quais já tenham trabalhado ou obtido a respectiva graduação ou para as quais já traduzam há bastante tempo. Esses são os especialistas. Alguns pontos positivos dessa escolha: conhecimento mais aprofundado sobre a área, glossários mais específicos e validados, experiência com o tipo de redação adotada para cada texto, além da confiabilidade do seu trabalho.

 

Ao se especializar em uma determinada área, o tradutor se torna conhecido tantos pelos colegas quanto pelos clientes/agências devido à sua experiência, ao resultado positivo do seu trabalho, o que gera confiabilidade para a sua contratação. Os solicitantes saberão a quem procurar quando precisarem de traduções específicas. A confiança no trabalho desse tradutor gera fidelização, e ele será sempre lembrado quando os clientes necessitarem de um projeto adequado à especificidade desse profissional.

 

Outro ponto positivo é a criação de glossários com termos validados pelos clientes. O tradutor especialista, frente a várias opções de tradução de uma terminologia específica, faz as escolhas certas, sem pestanejar. Além disso, ele também se habitua à linguagem utilizada pelos seus clientes, o que é de suma importância na padronização de estilos.

 

Por outro lado, aqui também há uma ressalva. O tradutor que se dedica exclusivamente a um segmento pode sofrer com a falta de demanda de traduções por questões de sazonalidade, por exemplo. Ele ficará na dependência do surgimento de um projeto da sua área de atuação, o que pode demorar semanas ou até meses.

 

Resumindo, um tradutor pode iniciar a sua carreira traduzindo para diversas áreas, ampliar o seu conhecimento e o seu glossário, acabar se interessando por uma área especifica e virar especialista ou, se preferir, continuar como generalista. A escolha é do próprio tradutor.

Por Ligia Ribeiro

2 thoughts to “Tradutor generalista ou especialista?”

  1. Gostei muito do seu texto. Como tradutor iniciante, esta era uma dúvida que tinha, mas agora ficou mais fácil decidir que caminho seguir, muito obrigado.

    1. Olá, Marcondes! Muito obrigada. Demorei a responder, pois estive em férias, mas fico contente em ver que o meu artigo lhe ajudou, de certa forma. As decisões são difíceis, mas para um tradutor, há muitas opções e você pode e tem o direito de diversificar. Caso não se adapte com algum gênero, é muito fácil seguir por outro caminho, desde que haja dedicação e estudo. Em outra profissão, isso exigiria cursos específicos, e a faixa etária seria um agravante. Um grande abraço e muito sucesso!

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