A primeira vez em um estúdio de gravação

Há alguns anos, estive em um estúdio de gravação de dublagem, mas sentadinha ao lado do diretor e do editor. Pude admirar a maestria dos atores ao interpretarem o roteiro que eu havia traduzido. Foi emocionante! No entanto, nunca poderia imaginar que um dia estaria no lugar desses brilhantes profissionais, realizando a narração de roteiros de audiodescrição.

Sou audiodescritora roteirista. Trabalho com narrativas de produções audiovisuais, principalmente, as cinematográficas. A minha experiência com locuções teve início com gravação de áudios para o podcast “A Voz do Tradutor”. Como não tenho estúdio em casa, gravo o texto com o meu celular e edito por meio de um software específico. Claro que a gravação não fica perfeita, mas tento melhorá-la o máximo possível a cada áudio. Entretanto, gravar em um estúdio, com apoio de um locutor profissional e de um editor de áudio é muito diferente.

Eu e outros colegas recebemos com antecedência os textos para a gravação. Treinei por várias vezes a leitura em voz alta e comecei a gostar cada vez mais do resultado. Achava que a entonação, o ritmo e o volume estavam adequados ao contexto. E no dia marcado, lá fui eu para o estúdio da TraduSound, empresa para a qual presto serviços de audiodescrição.

Entrei na sala de gravação com os textos impressos. Rafael Nimoi, locutor profissional, me posicionou na frente do microfone e foi para antessala da edição. Na sala, havia um monitor em que era transmitido um vídeo para o qual eu deveria fazer o voice-over. No púlpito à frente, outros textos impressos para serem narrados. Olhei para os papéis e me aproximei do microfone. Naquele momento, percebi o tamanho da responsabilidade. Lembrei dos atores cujas atuações eu presenciei e olhei para o Rafael, do outro lado do vidro. Ele me orientava e, quando necessário, pedia que eu repetisse a frase até a sua aprovação final.

De pé, aos poucos, mexia os braços e o corpo como se estivesse interpretando uma personagem. Foi até engraçado porque qualquer barulhinho era captado pelo microfone. Quando isso acontecia, eu tinha que regravar a fala.

Apesar da pouca experiência e da certeza de que preciso de mais estudos para me tornar uma narradora profissional qualificada de roteiros de audiodescrição, aquele momento ficará para sempre na minha lembrança. E o mais importante é que o respeito que já tinha pelos profissionais da voz só engrandeceu.

Não sei se mais projetos como esse surgirão no futuro, mas uma coisa é certa, quando e se a oportunidade chegar, ela será abraçada com o todo o meu coração.