Impressões sobre o VIII Congresso da Abrates

Congresso AbratesEste post traz uma visão subjetiva. A intenção é fazer um relato geral do evento, mesmo porque há colegas que, muito provavelmente, acabarão divulgando informações mais detalhadas sobre cada palestra.

Eu gostaria de comentar e fazer algumas críticas construtivas sobre os dois dias em que vi, ouvi e troquei muita informação valiosa no campo da tradução. Claro que não posso deixar de mencionar a palestra de Leandro Karnal, na abertura do congresso. Foi um verdadeiro show à parte, mesmo depois da confusão causada pela queda no sistema, que atrasou muito a emissão das etiquetas para os crachás. Aliás, como sugestão para o próximo evento, talvez fosse melhor se todas as etiquetas já estivessem impressas para entrega imediata.

De volta as minhas impressões, eu já havia escolhido algumas palestras que queria ver antes do início do congresso, mas as coisas estão sempre sujeitas a mudanças e, em muitas delas, nos deparamos com grandes surpresas.

O primeiro dia foi um pouco conturbado. Para quem nunca havia participado desse evento específico foi uma verdadeira “caça ao tesouro”, isso porque, mesmo marcando algumas palestras, acabei seguindo alguns colegas e me desviando um pouco do que havia planejado. Ao pegar um desses desvios me deparei com um prêmio maravilhoso no fim do evento, mas isso já é outra história.

A primeira palestra que assisti foi a de Isa Mara Lando, sobre terminologias de negócios. Eu já havia ouvido falar dela, mas vê-la palestrando de forma segura, com conhecimento do que estava sendo apresentado, é um deleite à parte. Quando você tem o conteúdo muito bem compreendido, aliado à habilidade na expressão verbal, você consegue atingir seu público alvo, o tempo passa depressa e você nem sente, e no fim o resultado é um gostinho de quero mais.

Falando em habilidade dos palestrantes, notei alguns com total controle e presença de palco. Isso mesmo, desenvoltura, boa dicção, capacidade de prender a atenção da plateia. Isso sem falar no conhecimento sobre o conteúdo de sua palestra. Parece bobagem, mas um ponto muito importante é o palestrante saber do que está falando, saber o que consta na sua apresentação, mesmo que você a divida com outras pessoas. É um trabalho coletivo que requer o engajamento de todos os envolvidos no mesmo projeto. Caso contrário, na ausência de algum membro e sem o conhecimento adequado, você se perde e não consegue transmitir o que havia planejado e da forma que havia planejado. Isso ocorreu em uma das palestras.

Outro ponto a ser destacado, principalmente se o palestrante for de outro país, é o uso da localização. Você prepara sua palestra, mas esquece que seu público alvo é de outra região. E o que acontece? Os exemplos que você dá, os fatos que menciona não condizem com a realidade da maioria das pessoas que estão assistindo a sua apresentação. É preciso lembrar de que o que serve para um local pode não servir para outro. Cada lugar tem sua própria cultura, suas próprias regras e regulamentações. Isso ocorreu também com algumas palestras.

Outro aspecto é com relação ao título da palestra. Elabora-se um título impactante, mas com conteúdo amenizado. Você acaba atraindo um número considerável de participantes que, aos poucos, vendo que não há muita informação atrativa, vão se dispersando. É preciso muito cuidado, pois o tempo das palestras é curto e se você não apresenta o conteúdo desejado, de forma concisa, o resultado não vai ser aquele que você, provavelmente, pretendia obter.

Por falar em tempo curto, isso foi uma pena. Palestras como a de Luiz Fernando Alves (legendagem), Fernanda Rocha (ProZ), Paulo Noriega (dublagem), Carolina Cardoso Walliter (currículos visuais), por exemplo, poderiam se estender por mais alguns minutos ou horas, mas devido à programação, não pudemos desfrutar do conteúdo que esses palestrantes certamente teriam para nos mostrar.  Mencionei algumas das quais eu assisti. Claro que deve haver outras, tão boas e interessantes quanto essas.

Mencionando novamente o tempo, a mesa-redonda sobre precificação foi muito interessante. A sala estava lotada, porque falar sobre “preços nos mercados de tradução e interpretação” é um assunto que causa muita curiosidade e, porque não, polêmica. E foi o que aconteceu, mas o que mais me chamou a atenção, fora a discussão e as opiniões dos tradutores, intérpretes e do diretor de uma agência de tradução, que compunham a mesa, foi uma frase que ouvi de um dirigente de uma associação: “Como vocês querem ser profissionais se não se associam ao Sintra?” Isso me causou certa perplexidade porque, em outras palavras, significa que se o tradutor não for sócio do sindicato, ele não é um tradutor profissional. Eu discordo totalmente disso. A meu ver, o profissionalismo não está ligado a nenhuma associação. Ele está ligado ao conhecimento, experiência, dedicação, ética, comprometimento, trabalho, engajamento e vários outros aspectos.

Mas, voltando ao evento, uma particularidade após a última palestra do último dia: o sorteio e a entrega de prêmios. Houve uma série de confusões no sorteio e a apresentadora estava meio perdida. A minha primeira intenção foi a de relatar, neste post, a falta de uma melhor organização nessa parte do evento. Mas, à medida em que ela se atrapalhava com papeis, etc., comecei a observar sua capacidade de controle emocional. Fiquei muito surpresa porque, mesmo sob uma situação de estresse, ela manteve o bom humor e a calma. Em nenhum momento ela se exaltou, em nenhum momento ela disse palavras rudes ou ficou de mau humor. Isso chama-se equilíbrio emocional. Uma lição à parte, no fim de um evento muito bom.

Para quem não pôde ir ao congresso, não deixe de fazê-lo no próximo ano. Não são só as palestras, mas também o networking, a troca com colegas, o aprendizado… Um grande evento. No próximo ano será no Rio de Janeiro. Nos encontraremos lá.

Por Ligia Ribeiro

 

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