PROFT 2017

Em um hotel, próximo à avenida Paulista, em São Paulo, o sexto simpósio de tradução organizado pela Profa. Dra. Ana Julia Perrotti-Garcia e pelo Dr. Sérgio Jesus-Garcia reuniu mais de 100 tradutores que trocaram o último “feriadão” prolongado de 2017 em prol de uma imersão de dois dias em palestras, oficinas e interação com colegas, amigos e outros profissionais.

No evento, foi possível notar o interesse, principalmente de tradutores iniciantes, pelo gênero de tradução audiovisual. É inegável que o gosto pelo entretenimento e a visibilidade decorrente de projetos realizados nessa área sejam fatores impactantes na escolha do tradutor pela legendagem, audiodescrição ou tradução para dublagem.

No primeiro dia, sexta-feira, três de novembro de 2017, a tradutora e dubladora Dilma Machado realçou em sua apresentação o papel social determinante da tradução para dublagem, e alegou que o mercado está aquecido, com incontestáveis oportunidades aos tradutores desse gênero audiovisual. Ratificando essa informação, Samira Spolidorio evidenciou a importância da audiodescrição como ferramenta de inclusão social e cultural.  A acessibilidade está ganhando mais força e novas leis estão sendo sancionadas para que produções brasileiras televisivas incluam a audiodescrição em suas exibições. Em suma, já podemos dizer que 2018 será um ano promissor aos profissionais da área.

Entretanto, com a possibilidade de novos projetos batendo a nossa porta e nos impulsionando a incorporar mais atividades em nossa já tão atribulada agenda, em que contexto incluiremos também o fator “equilíbrio”? Falamos em aprender novas ferramentas, a criarmos nosso marketing pessoal, a cuidarmos do nosso perfil profissional, mas raramente nos atemos a colocar em prática o cuidado com a nossa saúde física e mental. A palestra de Anita Di Marco enfatizou a importância de mantermos nosso equilíbrio interno para que consigamos desenvolver nossas atividades, sem comprometer nossa saúde.

Ainda seguindo o conceito da busca pelo equilíbrio, Carolina Ventura trouxe um enfoque diferenciado. Ela entrevistou oito tradutores experientes e conhecidos nas mídias sociais: Jorge Rodrigues, Caroline Alberoni, Monica Reis, Adriana Sobota, Lídio Rodrigues, Marisol Mandarino, Ana Júlia Perrotti Garcia e William Casemiro que falaram sobre seus métodos de trabalho, organização de atividades, otimização de tempo e, principalmente, sobre como conciliam suas vidas pessoais e profissionais.  Abaixo, algumas dicas valiosíssimas compartilhadas por esses tradutores:

  • Evite procrastinação. O acesso às redes sociais deve ser restrito a um tempo pré-determinado, evitando perda de tempo desnecessária;
  • Estabeleça um horário para postagens;
  • Priorize as atividades e os projetos, iniciando pelos mais complexos;
  • Use planilhas para o planejamento das atividades;
  • Defina um horário fixo de trabalho, cuja mobilidade dependerá da urgência do projeto;
  • Estabeleça as prioridades, analisando o que realmente é essencial;
  • Faça pausas periódicas durante o trabalho para aliviar a tensão do corpo e da mente;
  • Invista em tecnologias, software, plataformas, CAT Tools e outros programas para otimizar o tempo e aumentar a produtividade;
  • Utilize algumas ferramentas de suporte como (clique nos links): Evernote (organização), Translation Office 3000 (financeiro), IFTTT (condicionamento de tarefas), HazeOver (produtividade), Todoist (gerenciamento de tarefas), Focus@will (músicas instrumentais que auxiliam sua produtividade), Workrave (prevenção do LER), Pocket (salvamento de arquivos), Tabs Snooze (ocultação de abas do navegador), Timing (otimização de tempo e de atividades); e
  • Determine um horário para as atividades pessoais junto aos familiares e amigos.

Essas foram só algumas das palestras apresentadas no primeiro dia do PROFT 2017. Em grandes eventos como simpósios e congressos, é comum haver diversas atividades sendo realizadas simultaneamente. No simpósio, isso ocorreu com as palestras e as oficinas. Já que participei de seis, duas na sexta e quatro no sábado, compartilho com você um pouquinho sobre cada uma delas.

Se você já participou de algum evento de degustação compreenderá minha impressão. É provar, gostar, o tempo acabar e você exclamar: “Ah, mas já terminou?!” O tempo realmente é curto e nós, tradutores, sabemos bem que muitas vezes ele não está a nosso favor. Entretanto, na minha opinião, as oficinas não são só minicursos, mas sim compartilhamento de informações, dicas, orientações e até aconselhamento de profissionais que possuem mais experiência nos assuntos abordados. O importante é que após o evento você avalie de que forma utilizará esse conhecimento a seu favor e o coloque em prática. Não adianta apenas participar, anotar tudo o que foi exposto e guardar essa informação para consultá-la quando houver tempo. Após o evento, leia o que anotou, marque o que julgou ser relevante ao seu objetivo e ponha as mãos na massa.

No entanto, sem me estender muito em considerações, veja como foram as seis oficinas das quais participei.

Sexta-feira – 3 de novembro

Na manhã do primeiro dia, tivemos a oficina sobre a CAT Tool SDL Trados Studio, ministrada por Rodolpho Camargo. O propósito da oficina foi mostrar aos participantes que nunca tiveram acesso ao programa ou que o recém adquiriram, o conhecimento básico sobre como receber os projetos, em que lugar salvar o material, como iniciar a tradução e como reencaminhar os arquivos revisados aos solicitantes. Mesmo utilizando o Trados há algum tempo, fiz questão de participar dessa oficina, pois sabia que no fundo aprenderia mais funções que me ajudariam a melhorar minha produtividade. Dito e feito. Dicas de como copiar, de forma quase automática, segmentos e termos de um arquivo para outro, de como aumentar a fonte dos textos de saída e de chegada, sem comprometer a formatação dos projetos, e muitas outras informações úteis compartilhadas pelo instrutor.

 

Na parte da tarde, Thiago Hilger e Márcia Nabrzecki abordaram a importância da elaboração de um currículo adequado para cada objetivo. Você só tem um currículo, mas realiza projetos para diversos gêneros de tradução. Já pensou em criar mais de um para cada uma dessas áreas? Há diferenciações quanto à elaboração de um currículo ou portfólio para envio aos clientes e agências brasileiras e estrangeiras? O que deve ser mencionado em um e-mail de prospecção? Você cuida da sua imagem e das informações que divulga em redes sociais e profissionais? Como atrair a atenção dos clientes? Como mostrar seu diferencial? Essas e outras orientações fecharam com chave de ouro a tarde de sexta-feira. Uma excelente oficina. Parabéns aos palestrantes.

 

Sábado – 4 de novembro

Às 8h, iniciamos o dia falando sobre legendagem. Infelizmente, devido ao tempo muito curto foi inviável tanto o aprendizado da operacionalidade de um dos programas usados na legendagem como a tentativa de realização de um projeto, incluindo as respectivas marcações. Entretanto, a palestrante Raquel de Sousa abordou de forma clara e objetiva os problemas que os tradutores enfrentam quando recebem projetos de legendagem. Ressaltou que o mercado está precisando de profissionais capacitados tanto para a legendagem de projetos voltados ao entretenimento como para projetos técnico-institucionais. É preciso ampliar o campo de visão e buscar novos nichos de mercado.

 

Em sequência, um exercício de tradução com a excelente profissional Isa Mara Lando. Dias antes do evento, Isa havia enviado aos participantes um texto sobre uma reportagem específica para ser previamente traduzido e discutido durante a oficina. Embora o texto fosse simples, sem terminologias muito específicas, foi possível a realização de um brainstorming entre os tradutores. O resultado foi um verdadeiro trabalho em equipe: ideias literalmente pipocando, novos vocábulos surgindo, frases sendo reconstruídas e no final, um projeto realizado em múltiplas mãos. Maravilhoso, como todas as oficinas e palestras dessa exímia profissional.

 

Após o almoço, uma dobradinha de oficinas relacionadas à área médica, iniciando com a oficina de Maria Rosário Nieves. Quem é tradutor de projetos voltados à área da saúde teve o privilégio de entender a diferenciação da linguagem utilizada em diversos textos médicos, como: artigos científicos, estudos clínicos, livros didáticos, manuais, jornais, resumos e muitas outras publicações, além de compreender a importância da definição do público-alvo relacionado a cada um desses projetos. Uma oficina imperdível. Em sequência,  Fábio Fonseca ministrou a última oficina da qual participei. Na sua opinião, medicação e medicamento teriam o mesmo significado? E dose e dosagem? Qual terminologia seria a mais adequada? Há realmente diferença entre os termos ou seria apenas uma questão de preferência? Para os tradutores da área médica, a exatidão no uso de terminologias em textos específicos é imprescindível, e o palestrante mostrou alguns exemplos práticos do uso desses termos e de sua melhor adequação aos diversos contextos da área da saúde.

 

Esse foi o relato parcial do Proft 2017, um evento que reuniu tradutores de outras cidades e de outros estados. Juntos em prol de conhecimento, interação e, por que não incluir também descontração. Parabéns a todos os palestrantes, aos organizadores e à equipe de apoio. Finalizando este post, abaixo, as palestras e oficinas ministradas no evento:

 

PALESTRAS:

Tradutores, é preciso conectar (Adalto Moraes de Souza);

Conhecendo a Plataforma de Acessibilidade Midiática (MAP): um banco de dados mundial para tradução audiovisual acessível (Samira Spolidorio);

Yoga, Respiração e Tradução! (Anita Di Marco);

Os percursos possíveis de formação do tradutor técnico ou especializado (Fábio Fonseca de Melo);

Algunos aspectos del Derecho Procesal Civil – Comparación entre el nuevo CPC (Brasil) y la legislación argentina en la materia (Gustavo Walter Spandau e Roberto Fernandes De Almeida);

Residências de Tradução Literária – Oportunidades (Dinaura Minieri Julles);

Projeto Win-Win: conquistas e próximos passos (Reginaldo Francisco e Roney Belhassof);

O Núcleo de Idiomas e Traduções da SAI/UFSM e a Internacionalização (Daniela Schwarcke do Canto);

Carreira, família e vida pessoal: encontrando o ponto de equilíbrio (Carolina Ventura);

Tradução para dublagem – que mercado é esse que ninguém conhece? (Dilma Machado);

Dicas para autodidatas: Partindo dos conselhos de Paulo Ronai em “A tradução vivida” (Jose Olympio) (Isa Mara Lando);

Letras, Finanças e volta – do mercado financeiro à profissão de tradutor/intérprete (Liam Alexander Gallagher);

Tradução técnica na área de saúde – desafios vivenciados nas paralimpíadas Rio 2016 (Maria Luiza Cabral Maia);

O Vice-Cônsul de Marguerite Duras: alguns problemas de tradução (Profa. Dra. Maria Cristina Vianna Kuntz);

Materiais de divulgação para apresentação profissional ao cliente (Thiago Hilger e Márcia Nabrzecki);

Conheça o Catálogo de Tradutores (Meg Batalha, Rodrigo Amaral e Markus Gern);

Desafios da tradução jornalística (Meritxell Almarza Bosch);

Interpretação em cenários médicos no Brasil e a importância do intérprete profissional (Lourdes Matias Vieira);

Novas tendências para o mercado corporativo de tradução audiovisual / uma abordagem sobre acessibilidade (Raquel Lucas De Sousa e Paloma Bueno Fernandes);

Tradução e literatura de autoajuda: aproximando o conceito bakhtiniano de Gênero Discursivo e a concepção de normas de Gideon Toury (Aline Gomes Vidal);

Tradução Jurídica em EAD e sua Contribuição na Formação e Aperfeiçoamento de Tradutores (Alessandra Cani Gonzalez Harmel);

Especializações – Indo além do óbvio (Melissa Harkin);

Vinte anos de contos, causos e histórias na vida de um tradutor (João Vicente de Paulo Júnior);

Conheça o ProZ (Isabel Vidigal); e

Audiodescrição como ferramenta de acessibilidade e mercado de trabalho para tradutores e intérpretes (Ana Julia Perrotti-Garcia).

 

OFICINAS

Ferramentas de tradução: noções básicas de SLD Trados Studio (Rodolpho Camargo);

Marketing pessoal: apresentação profissional ao cliente, materiais de divulgação (Thiago Hilger e Márcia Nabrzecki);

Passo a passo da preparação para brilhar na interpretação (Luciane Camargo);

Soluções digitais para a interpretação consecutiva (Marco Antonio Guidelli Gonçalves);

Iniciação à tradução de contratos – inglês/português (Marly Tooge);

Legendagem: o mercado de tradução audiovisual ao seu alcance (Raquel Lucas de Sousa);

Oficina prática de tradução (Isa Mara Lando);

Versão em inglês em finanças e negócios para iniciantes (Liam Alexander Gallagher);

Oficina de Iniciação à Tradução Médica – Inglês/Português (Maria Rosario Garcia Nieves);

Aprenda direito – pun intended! (Luciana Carvalho Fonseca e Bruna Marchi); e

Diferenciações terminológicas em projetos de Life Sciences (Fábio Fonseca de Melo).

3 comentários em “PROFT 2017

    1. Oi, Renata.
      Desculpe a demora em lhe responder. Obrigada. Que bom que gostou. Em 2018, haverá mais eventos e com certeza estaremos lá. Um abraço.

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