10 orientações para quem quer ser revisor (a)

Cenário 1:

Você tem sólida experiência como tradutor (a), já realizou vários projetos inerentes à área de sua especialização, tem fluência no alemão, sabe usar ferramentas e software específicos para a tradução, mas agora decidiu que é hora de também ser um (a) revisor (a).

Cenário 2:

Você tem formação em letras, gosta de estudar a gramática da língua portuguesa brasileira, tem facilidade na escrita, é fluente no espanhol e leciona em uma escola de idiomas. Porém, você quer incluir projetos de revisão nas suas atividades profissionais.

Cenário 3:

Você é graduado (a) em administração, voltou ao Brasil após um curso de intercâmbio no exterior, fala fluentemente os idiomas italiano e inglês, escreve e se comunica muito bem no idioma português brasileiro e resolveu realizar trabalhos de revisão.

Cenário 4:

Você é estudante de jornalismo, tem francês avançado, um bom português, gosta de escrever e quer começar a revisar textos.

Cenário 5:

Você está desempregado (a), seu inglês é fluente, tem um bom português e quer ser revisor (a) como um bico, enquanto não encontra outro trabalho.

 

Independente de qual desses cenários você faça parte, se achar que o trabalho de um (a) revisor (a) consiste somente em passar um corretor ortográfico em um texto, é melhor “revisar” o seu conceito. Saiba que uma revisão requer muito mais do que ter uma boa escrita, ser fluente em outro idioma ou ter um excelente conhecimento da gramática portuguesa. É preciso visão crítica e aguçada, distanciamento do texto que está sendo revisado e, principalmente, a habilidade de um joalheiro – ser capaz de lapidar uma obra. 

 

Os revisores eficientes são aqueles que leem TODO o texto com cuidado, examinando cada frase em busca da compreensão e da fluidez, desconfiando de alguma sonoridade estranha aos seus ouvidos. Cada pontuação, concordância, regência, conjugações verbais, colocações pronominais e quaisquer aspectos da nossa gramática deverão ser esmiuçados, questionados e confirmados.

 

Depois de horas diante da telinha do computador, os olhos tendem a não “pegar” possíveis erros no texto. Mesmo usando ferramentas para auxiliar o processo de revisão, como o revisor do Word ou do software XBench, ou o revisor de CAT Tools, entre outros, algum erro acaba passando. E me refiro a problemas de ortografia, pois se falarmos sobre a ausência de coesão, os erros gramaticais e as frases sem coerência, por exemplo, não há programas, pelo menos não conheço, que sejam capazes de fazer essa revisão. Ela ainda depende do ser humano.

 

Portanto, se você tem interesse em realizar trabalhos de revisão, seguem abaixo algumas orientações:

  1. Se o texto que você está revisando é um texto técnico, analise as terminologias empregadas, de acordo com o glossário utilizado. Veja se elas correspondem ao contexto.
  2. Reveja se o estilo do texto de chegada está coeso com o texto de partida.
  3. Verifique se não há erros ortográficos, como: pontuação, palavras escritas erradas, símbolos ou números trocados, erros de digitação, entre outros.
  4. Verifique também a gramática. Veja se não há problemas com a regência e com a concordância nominal e verbal; se há cacofonia, pleonasmo e todos os possíveis entraves que possam prejudicar a leitura.
  5. Leia com olhos de águia. Leia todo o texto com calma e, de preferência, em voz alta, para confirmar se a frase está coerente ou se há algum termo que não soe bem.
  6. Não procure erros onde eles não existem. Seja sincero (a). Se o texto está bem escrito, não há por que trocar um vocábulo que está correto por um sinônimo, só para mostrar que fez o seu trabalho.
  7. Analise se a formatação do texto está de acordo com o original. Veja, por exemplo, alinhamento do texto, cores e fontes, negritos e itálicos.
  8. Verifique se não há “pulos” no texto, ou seja, omissão de palavras ou frases, ou se há acréscimo de termos desnecessários.
  9. Utilize dicionários para se certificar do emprego correto de expressões e vocábulos. Bateu aquela dúvida? Dê uma olhada no VOLP e veja se aquela palavra realmente existe. Tenha bons dicionários, eletrônicos ou físicos, à disposição.
  10. Faça cursos para aperfeiçoar a sua revisão.

 

Caso tenha encontrado erros que chamem muito a atenção, oriente a quem escreveu o texto a buscar materiais de apoio para aprimorar a sua escrita, como por exemplo: livros de gramática, websites com dicas, cursos específicos, entre outros. Tente manter uma relação amigável com o (a) seu (sua) colega. 

 

Nada impede de que você se torne um (a) revisor (a), mas lembre-se de que o trabalho desse profissional é de extrema importância, por isso deve ser levado a sério, com dedicação, estudo e muita atenção.

 

A você que está iniciando como revisor (a), muito sucesso!

Autora: Ligia Ribeiro

2 thoughts to “10 orientações para quem quer ser revisor (a)”

  1. Achei extremamente pertinente este post. Não sou revisora, não me acho capacitada para tal. Faltam-me os “olhos de águia” e o conhecimento gramatical. Acho que sou uma boa tradutora mas, embora sendo brasileira, tenho mais facilidade em revisar para o inglês. Faço alguns projetos de revisão mas sempre “threading on quicksand”. Tenho pavor de trocar seis por meia dúzia mesmo quando gosto muito mais da minha versão, enfim, não é um ofício secundário, nunca! Adoraria fazer um curso para aperfeiçoar minhas técnicas de revisão.

    1. Oi, Lidia! Na minha opinião, é o aprendizado, junto com a pesquisa e a prática, que faz com que você se torne uma boa revisora. Quanto mais você praticar, mais afiada você estará. É um trabalho difícil, mas enriquecedor. Também gostaria de realizar um curso de revisão, mas no momento as minhas prioridades são outras. Quem sabe no futuro. Abraço.

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